Técnicas básicas de bodyboard: guia do iniciante

Publicado por Sebastião a 12/10/2026 06:35 e modificado a 16/10/2026 08:42.

Para começar no bodyboard, as técnicas básicas são cinco. Primeiro, escolher o material: prancha, pés de pato, leash e fato. Depois, ler a praia e as correntes, deitar-se e remar com equilíbrio, passar a espuma com o pato e apanhar a primeira onda até à primeira curva.

Que equipamento é preciso para começar no bodyboard?

A Mundo-Surf inclui quatro peças no equipamento básico para começar: a prancha, os pés de pato, o leash e o fato de neopreno. Cada uma tem uma função própria na água. A sessão começa antes de entrar na água, com a escolha e o ajuste de cada peça.

Surfista com prancha azul na prancha, segurando bandeira amarela e azul na praia ensolarada.

Como escolher a prancha de bodyboard?

O tamanho da prancha de bodyboard depende de vários fatores ao mesmo tempo: altura, peso, experiência, flutuação e desenho. Uma prancha demasiado pequena pode afundar durante a remada. Uma demasiado grande torna o controlo mais difícil. A construção também conta, como se vê nos critérios seguintes:

  • Volume: além do comprimento, a largura, a espessura e a distribuição da flutuação mudam o comportamento da prancha. Com a mesma altura, uma pessoa mais pesada pode precisar de mais volume.
  • Núcleo: o núcleo (a espuma interior da prancha) em PE é geralmente mais flexível. O núcleo em PP é geralmente mais rígido.
  • Stringer: é um reforço interno que percorre a prancha ao comprido e lhe dá mais rigidez.
  • Slick: é a face inferior, em contacto com a água. Quando é lisa, ajuda a prancha a deslizar.

Uma vez definidos estes critérios, compare modelos no catálogo de pranchas de bodyboard. Verifique o volume adequado ao seu peso e o núcleo que prefere.

Como ajustar os pés de pato e a proteção térmica?

Os pés de pato aumentam a força da pernada, mas não substituem a capacidade de nadar. Devem ficar firmes no pé, sem apertar os dedos e sem deixar o calcanhar escapar. Se sentir dor ou se o pé tender a sair, experimente outro tamanho.

Para a prática deitada, a Mundo-Surf aconselha barbatanas assimétricas de bodyboard: o lado exterior é mais longo do que nas simétricas. Meias de neopreno com 1 a 2 mm podem reduzir a fricção. Em complemento, existem acessórios de fixação que ajudam a não perder os pés de pato.

Já o fato de neopreno serve para reduzir a perda de calor. Num fato com a indicação 4/3 mm, a espessura nominal é de 4 mm no tronco e 3 mm nos membros. A lycra reduz a fricção, mas não isola do frio como o neopreno, que continua necessário em águas frias.

Que leash usar e verificar?

O leash é o cordão que liga o praticante à prancha e ajuda a recuperá-la depois de uma queda. Não é um dispositivo de salvamento, mas a Mundo-Surf considera-o indispensável. Para começar, há duas opções: o leash de pulso ou de bíceps. O de pulso é mais simples. O de bíceps pode interferir menos com a remada.

Os destorcedores (peças giratórias nas pontas do cordão) evitam que o leash se enrole no braço. Antes de entrar na água, confirme o estado do cordão, do velcro e das fixações. Ajuste a braçadeira sem cortar a circulação e nunca enrole o cordão nos dedos nem no pescoço.

Onde entrar na água em segurança?

Com o material pronto, falta escolher onde entrar. No bodyboard, a segurança depende tanto do local e das condições do dia como da técnica. Antes da primeira espuma, vale a pena saber ler a praia, reconhecer as correntes e conhecer as regras de convivência na água.

Como escolher a praia e avaliar o mar?

Para um iniciante, a praia ideal é vigiada, com fundo de areia, ondas pequenas e regulares, espaço livre e sem corrente forte. Observe o mar durante vários minutos antes de entrar. Assim, fica a saber onde as ondas rebentam, como variam as séries, quem está na água e por onde pode sair em segurança.

Em complemento, o IPMA publica uma previsão costeira com a ondulação e o vento. É atualizada todos os dias e cobre até cinco dias. Como usa o ponto de cálculo mais próximo da praia, não substitui o que observa no local.

Como reconhecer e enfrentar as correntes?

Os agueiros são correntes que puxam para o largo. Segundo a Autoridade Marítima Nacional, há sinais possíveis: uma abertura na linha de rebentação, água com cor ou textura diferente, e espuma ou detritos a afastarem-se da praia. Nenhum destes sinais, sozinho, confirma ou exclui um agueiro.

Se uma corrente destas o arrastar, mantenha a calma, flutue se for preciso e peça ajuda. Depois, nade na paralela à praia até deixar de sentir a corrente. Só então procure sair da água, num ponto afastado dela.

A deriva litoral é diferente: desloca a água ao longo da praia quando as ondas chegam de lado. Mesmo com ondas pequenas, podem existir correntes, buracos no fundo ou ondas a rebentar com força sobre areia pouco funda.

Que regras seguir durante a sessão?

No próprio dia, confirme as bandeiras e as indicações do nadador-salvador. Saber nadar é essencial, mas não chega para lidar com correntes, rebentação e cansaço. No lineup, a onda pertence a quem está mais perto do ponto onde ela rebenta. Mantenha distância de banhistas e outros praticantes: depois de uma queda, uma prancha projetada pode atingi-los.

Saia da água antes de ficar esgotado ou com demasiado frio. Se vir alguém em perigo, peça ajuda e ligue 112. Não tente um salvamento sem formação nem equipamento para isso.

Como se posicionar na prancha e remar?

No bodyboard, quase tudo depende da posição na prancha. Uma postura bem centrada dá equilíbrio, ajuda a remada a ganhar velocidade e evita correções bruscas ao entrar na onda.

Prancha de bodyboard com uma pessoa a remar de barriga para baixo na água azul, segurando uma prancha laranja perto do tronco.

Qual é a posição deitada correta?

A Mundo-Surf aconselha treinar primeiro em terra: pouse a prancha na areia e deite-se sobre ela. Repita a postura até ficar natural e confirme estes três pontos:

  • Corpo e peito: o corpo fica centrado e alinhado com a prancha, com o peito ligeiramente levantado.
  • Ancas: apoiam-se na parte de trás da prancha.
  • Mãos: seguram as bordas, na parte da frente.

Os erros mais comuns têm a ver com o peso. Se estiver demasiado atrás, a ponta levanta e a prancha perde velocidade. Se estiver demasiado à frente, a ponta pode afundar e torna-se difícil controlar a prancha.

Como coordenar braços e pernas na remada?

Para remar, use os braços alternadamente: cada um puxa a água para trás, junto ao lado da prancha. Ao mesmo tempo, as pernas batem também alternadamente, com os pés de pato dentro de água.

A pernada deve partir da anca, com um ritmo regular e sem batimentos curtos e tensos. Enquanto rema, mantenha o olhar à frente. Assim, consegue acompanhar as ondas, os outros praticantes e a sua posição em relação à praia.

Onde praticar antes de apanhar ondas?

Depois da areia, passe para água pouco funda, sem correntes relevantes e com alguém a supervisionar. Aí, faça trajetos curtos para treinar o alinhamento e o controlo da prancha. Procure coordenar os braços com a pernada, sem levantar demasiado os pés de pato da água.

Repetir a remada cansa os ombros, as costas e as pernas. Uma preparação física que trabalhe estas zonas ajuda a aguentar sessões mais longas.

Como passar a espuma e fazer o pato?

Depois de dominar a remada, surge a questão de chegar às ondas. A resposta depende de onde vai apanhá-las. O pato só é necessário quando quiser ir mais longe do que a zona perto da praia.

É preciso atravessar a rebentação?

Não. Para apanhar as primeiras espumas perto da praia, não precisa de passar a rebentação mais ao largo nem de saber fazer o pato. Enquanto tiver pé, avance com a prancha à frente. Se as condições o permitirem, passe por cima das espumas pequenas.

O pato serve para mais tarde. A técnica consiste em afundar a prancha e o corpo para passar por baixo de uma onda ou espuma que chega de frente, sem largar a prancha.

Como executar o pato passo a passo?

Observe a onda e confirme que a profundidade e a força permitem passar. Aproxime-se com velocidade controlada. Segure as bordas da prancha e empurre a parte da frente para dentro de água, com os braços esticados e o tronco a baixar.

Com a frente submersa, use o joelho ou a perna para afundar a parte de trás da prancha. Quando a água agitada passar, alivie a pressão. Volte a pôr a prancha alinhada e retome a remada.

Quando não se deve tentar o pato?

O momento é decisivo: se começar o pato tarde demais, a espuma pode empurrar a prancha para trás. Pode perder o controlo ou ser atingido pela própria prancha.

Não force o pato se a rebentação for forte, se houver pouca água ou se já não conseguir manter a calma e controlar a prancha debaixo de água. Também não mergulhe de cabeça sem saber a profundidade, nem apoie mãos ou pés num fundo que não vê.

Como apanhar a primeira onda e começar a manobrar?

Com a postura, a remada e a leitura do mar treinadas, está pronto para pegar a primeira onda. Para começar, prefira as espumas, ou seja, ondas que já rebentaram. Permitem treinar o momento certo, a direção e o controlo antes de passar para ondas maiores ou para a primeira manobra.

Jovem surfista em prancha esquerda a vencer a onda, com água a espumar ao redor.

Como apanhar a primeira onda de espuma?

O take-off é o arranque na onda. Tudo começa com a escolha da espuma certa e com o momento em que começa a remar:

  • Escolha: uma espuma pequena, numa zona sem rochas, sem corrente visível e sem banhistas por perto.
  • Alinhamento: a prancha aponta para a praia, nunca na direção de outra pessoa.
  • Antecipação: comece a remar e a bater as pernas antes de a espuma chegar à prancha.

Se começar tarde, a onda pode passar sem o levar.

Quando sentir a prancha acelerar, é sinal de que a onda o apanhou. Mantenha-se deitado e centrado, continue o impulso inicial e não levante o tronco de repente.

Como controlar e terminar o deslize?

Os primeiros segundos pedem pequenas correções. Se a ponta afundar no arranque, recue um pouco o tronco. Se a prancha levantar a ponta e não deslizar, avance um pouco o corpo.

Se a prancha fugir para um lado, volte a centrar as ancas. Olhe para onde quer ir e não carregue mais numa borda do que na outra.

Nas primeiras espumas, siga em linha reta por uma zona livre. Abrande quando a onda perder força. Antes de parar ou de se levantar, saia do caminho dos outros praticantes.

Qual é a primeira mudança de direção?

Uma onda que ainda não rebentou exige mais rigor na posição e no momento: vire a prancha para a praia antes de a onda chegar e comece a pernada cedo, perto do ponto onde ela quebra. Assim que deslizar na face (a parte inclinada) de uma onda pequena, experimente uma curva simples. Entre com velocidade, olhe para onde quer ir e passe um pouco do peso para a borda desse lado. O bottom turn é a manobra feita na base da onda que o leva de volta para a parede. As ondas menores servem para consolidar estes gestos. O cutback, o drop knee, o 360º e o el rollo ficam para fases mais avançadas.

Perguntas frequentes

Lave a prancha com água doce depois de cada sessão e não a deixe ao sol durante muito tempo. O calor pode fazer bolhas no deck, a superfície de cima onde o corpo se apoia.

A cera pode ser aplicada nas zonas onde as mãos e o peito tocam na prancha.